Pular para o conteúdo
Seja membro

Notícias e eventos

Fundação da REBRAC reúne 11 especialistas no 60º CBGO

19/11/2022

Criada durante congresso no Rio de Janeiro, Rede busca ampliar o diagnóstico precoce e melhorar a assistência às gestantes.

Especialistas criam rede nacional de combate ao acretismo placentário durante o 60º CBGO

Rio de Janeiro (RJ), 16 a 19 de novembro de 2022

Um grupo de 11 profissionais da saúde se reuniu durante o 60º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO), realizado de 16 a 19 de novembro, no Rio de Janeiro, para criar a Rede Brasileira de Acretismo Placentário (REBRAC). A iniciativa busca integrar especialistas e serviços de saúde de diferentes regiões do país, ampliar o diagnóstico precoce e melhorar a assistência às gestantes com a condição, considerada uma das complicações mais graves da obstetrícia.

O acretismo placentário ocorre quando a placenta se fixa de maneira anormal à parede do útero, podendo invadir suas camadas mais profundas e até órgãos vizinhos. A condição está associada a hemorragias graves durante o parto, necessidade de procedimentos cirúrgicos complexos e aumento do risco de morte materna. Mulheres com histórico de cesarianas, especialmente quando apresentam placenta prévia, estão entre as que exigem maior atenção.

A criação da REBRAC foi motivada pela necessidade de melhorar a identificação dessas gestantes e ampliar o acesso a equipes preparadas para conduzir casos de alta complexidade. A proposta prevê a troca de experiências entre instituições, o desenvolvimento de pesquisas, a capacitação de profissionais e o fortalecimento dos fluxos de encaminhamento para centros especializados.

A rede tem como primeiro presidente Gabriel Costa Osanan, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e médico do Hospital das Clínicas da instituição, com atuação em hemorragias obstétricas e medicina fetal.

Entre os fundadores estão Janete Vettorazzi, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Conrado Milani Coutinho, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP); Eduardo Cordioli, diretor técnico de Obstetrícia do Grupo Santa Joana; e Mario Macoto Kondo, coordenador de Obstetrícia de Alta Complexidade da mesma instituição e médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O grupo reúne ainda Sue Yazaki Sun, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Helaine Maria Bestetti Pires Mayer Milanez, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Antônio Rodrigues Braga Neto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio); Álvaro Luiz Lage Alves, professor da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH); Lucas Barbosa da Silva, médico do Hospital das Clínicas da UFMG; e Mônica Iassanã dos Reis, enfermeira com experiência em políticas públicas e organização de redes assistenciais.

A participação de profissionais com diferentes formações e experiências permitirá que a REBRAC desenvolva ações tanto na assistência direta às pacientes quanto na produção de conhecimento científico e na organização dos serviços. Uma das preocupações do grupo é reduzir as dificuldades enfrentadas por gestantes que chegam ao parto sem o diagnóstico da condição ou sem acesso à estrutura necessária para um atendimento seguro.

Centros de referência e capacitação estão entre as prioridades

Uma das metas da nova rede é estimular a organização de pelo menos um centro de referência para o espectro do acretismo placentário em cada estado brasileiro. A proposta inclui a formação de profissionais multiplicadores, capazes de disseminar protocolos e orientar equipes de diferentes níveis de atenção.

A REBRAC também pretende incentivar o mapeamento dos casos no país e promover reuniões científicas periódicas para discutir diagnóstico, planejamento do parto, tratamento e acompanhamento das pacientes.

O diagnóstico durante o pré-natal é considerado decisivo para reduzir complicações. Quando a condição é identificada antecipadamente, é possível programar o nascimento em uma unidade com equipe multidisciplinar, suporte cirúrgico, banco de sangue e recursos necessários para enfrentar possíveis emergências.

Realizado no Riocentro e promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o 60º CBGO reuniu profissionais de todo o Brasil para discutir avanços científicos e desafios da especialidade. A fundação da REBRAC durante o encontro marca o início de uma articulação nacional voltada à melhoria da assistência às mulheres com acretismo placentário e à redução das complicações maternas associadas à condição.

Todas as notícias